sábado, 26 de novembro de 2011

O Astronauta dos corações

"E ele num momento hesitou,
 mas depois não resistiu, 
me contou que mil balões voando foi o que ele viu.
Eu te presto atenção, tento ser sua flor, vem, 
te faço um carinho, eu te toco mansinho,
 te conto um segredo, te encho de beijo." Tiê

Acho que ele chegou até aqui naquela tarde. Na verdade tenho certeza. Veio correndo por entres vales encantados e frutas silvestres. Voou de longe até nós, percorreu galáxias e universos. Apareceu para nós brilhante e denso, aconchegante como chocolate quente no inverno, brilhantes com luzes azuis. Acertou o tom, era a nota cheia de flores e tinha uma melodia que abraçava almas. Era o Astronauta dos corações.
Te peço que fique. Passado o passado voltamos a seguir o Astronauta do coração. A gente segue a direção que o coração mandar... vamos pra lá. Um sonho bom, desses que se acorda sorrindo, desses que transformam o dia. Era azul na seda rara e rosa no algodão, era embriagado na sombra e sóbrio na luz, era lá, sol e dó, je t'aime de manhã até a noitinha ao som de jazz.

-Te vi chegar e meu coração bateu mais forte, minha mão suou.
-Soou.
-É suou!
-Soou o sino da igreja amarela, não escutou? No exato momento que cheguei.
-Suou e soou então.

O banco da praça era impecavelmente branco, com certeza os pintores tinham feito um belo trabalho no dia anterior. Ainda era possível sentir o cheiro e eles se certificaram se a tinta fresca não colaria nos casacos. Colocaram apenas o dedo indicador no banco, apertaram e depois riram. A tinta estava seca.

Duas visitas recentes do Astronauta dos corações:
  1. Ele entrou pela janela do quarto dela pela manhã, atravessou a cortina. Soprou leve pelo ouvido: "oi". Se acomodou na poltrona de balanço e a olhou dormir. Ela esboçou um sorriso e apertou os olhos. Quase acordou. Ele foi na pontinha dos pés até o piano, passeou os dedos pela calda até chegar ao teclado. O Astronauta dos corações tinha bom gosto e adorava conhecer novos casais. 
  2. Enquanto ele se cobria com o cobertor xadrez vermelho, quase o ouviu. Se mexia muito durante a noite e sempre estava descoberto e tremendo de frio pela manhã. O Astronauta verificou se ele estava dormindo e sorriu no canto do quarto. Deixou um punhado de alegria perto do abajur, cor sorvete de creme. Olhou todos os carrinhos enfileirados na estante e lembrou-se da sua infância... antes de virar o astronauta dos corações -ou se você preferir: o amor- ele era bem pequenininho apenas um sonho, um carinho. Cabia nas palmas das mãos ou num ninho de andorinha. 
-O que é isso que você trouxe?
-Chocolate quente com marshmallow, para te proteger do inverno.
-Me protege também com um abraço?

Faltaram palavras ao rapaz, ele se viu ao meio de carinhos e beijos, e de todo o seu desejo de apenas ter um grande amor. Ela estava ali, diante dos olhos. Faltou ar. Tinha asas para voar... ganhou um presente do Astronauta.

Preste atenção leitor:
  • Faça um carinho, conte um segredo, valorize uma música, sonhe, aventure-se, sensibilize-se com o mais singelo gesto, beije, entenda, chore lágrimas de amor ou de dor, deseje e aproveite o presente!
  • Enxergue os sinais do Astronauta, não desista, chame-o (a) de amor, segure-o (a) pelas mãos, lhe entregue flores ou livros, lhe entregue o coração.
Me chamam de Astronauta porque sempre estou fora de órbita. Sempre viajando pelos corações, dos mais fáceis aos mais rudes. Não me despeço dessa estória, estarei sempre com eles.
"Eu canto todas as manhãs desde que te conheci."  Inquietos

4 comentários:

Daniele Oliveira disse...

Eu tb tenho vontade de cantar muitas vezes depois que o conheci, não sei o que ocorre, você é alguém que faz parte dos meus dias e das minhas preocupações, você faz parte do que eu vejo de bonito e do que eu ouço de mais singelo, você me faz querer escrever e te fazer sentir orgulho de mim, você me faz querer ser melhor do que sou.
Gostaria que você se sentisse amado só pelo fato de eu estar aqui do outro lado da tela dos computadores.
Hoje eu estou chorando aqui eplo sua sensibilidade, por ler uma coisa assim escrita por alguém que tanto estimo.Você claissifcou o que te escrevi como presente e eu classifico tudo o que você escreve como presentes.Me lembro a primeira vez que entrei no seu blog, me lembro da foto e até do cheiro que senti aqui no escritório naquele momento, associo muito cheiros a lembranças, lembro que tinha uma parte que falava de uma caneca em cima da mesa com fumaça saindo ou algo do tipo...
Me apaixonei por você Éder e da melhor forma que é se apaixonar, sem nada que seja carnal, me apaixonei pelo que você é e escreve e até pelos seus defeitos e pequenas falhas.Você é o irmão que eu sempre queis ter...

Luna Sanchez disse...

Ah, Eder, essas lições lindas eu já pratico. Posso dizer que mais de 70% do colorido que vejo no mundo vem justamente disso.

Lindo post, como sempre! Até o sorvete de creme, que eu nem aprecio, fica gostoso aqui.

Beijos, moço querido!

RENATO VIDAL S. disse...

Eder, realmente escribes hermoso, tienes tanta inspiración, eres todo un maestro. el arte es parte de ti. un abrazo querido amigo.

Eder Fabricio disse...

Dani... =D a recíproca é verdadeira, eu me sinto um cara melhor ao seu lado. Obrigado. Eu me sinto muuuuito amado por você e também de amo. Obrigado.
O texto que você fala é o "2+2=5" de julho de 2010. Fiquei muito feliz com suas palavras. Uns beijos pra ti!

Luna, sempre desconfiei dessas nossas afinidades. rs Juro. Obrigado pelo elogio. Só não é mais lindo do que você! Sorvete de creme é só a cor do abajur..rs se bem que eu podia ter escolhido outro sabor, rs. Beijos!

Así que estoy echado a perder Renato eh. Sólo elogios? rs
Me alegro de su espalda y comentario aquí. Gran abrazo.