quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O peso do 'até um dia' - Final


Quem garante que vou esquecer de você, esquecer nossa última noite (clique aqui)?
Seguir a diante não foi fácil. O acúmulo de prédios, o céu cinza, o trânsito frenético... eu me sentia estranho, me sentia fora dali, o asfalto sob meus pés, essa era a única certeza que eu tinha sobre ter realmente voltado, pois meus pensamentos estavam em seus olhos claros, sorrisos, voz e gestos.
Jaz. Ganhei ou perdi? Eu não conseguia analisar o saldo final de tudo isso.
O que estará fazendo agora? Com quem estará? Sorriria e eu não estaria ao lado, não compartilharia do seu momento. 
Como aceitar que eu precisava voltar pra minha cidade? Com os óculos escuros eu podia chorar sem atrair olhares estranhos, sem atrair olhares curiosos ou de pena... me escondi atrás das lentes escuras e deixei escapar pelos meus olhos todos os sentimentos, todas as alegrias, todas as dúvidas de um futuro incerto, senti na boca o gosto salgado da saudade, o gosto da ausência, do 'até um dia'. 

Eu não tinha pressa nenhuma de chegar em casa, queria ficar sozinho, pensar um pouco sobre os contratempos do meu mundo cotiano. Olhei casais felizes de mãos dadas, pessoas sorrindo ao celular, provavelmente indo ao encontro da tal felicidade. 
Subi a rua Augusta tão devagar e cansado, eu tinha preguiça de recomeçar sozinho. Pela minha memória suas mãos me procuravam, seus olhos me olhavam, sua boca contava metodicamente fatos tão seus que se tornaram tão meus. Lembrei das inúmeras ligações, dos inúmeros cuidados, promessas e sacanagens.

O presépio de Natal da avenida Paulista foi ofuscado pela minha melancolia, não tinha espaço em meus pensamentos para outra coisa.
Se eu seguir adiante consigo viver, me ver, me achar, mesmo sem você?

FIM

2 comentários:

SilverLux (Éverton) disse...

:( apenas te abraço (mesmo que virtualmente), meu amigo, para que você fique bem... doi mesmo, então, chora que passa!

Eder Fabricio disse...

Obrigado Éverton.