quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Os Sonhadores


Passando pelos corredores da locadora, esse filme me chamou atenção, era uma espécie de imã, uma dessas coisas sem explicação. Não tive coragem de alugar da primeira vez que o vi, ele me olhou ali da prateleira ao lado de todos os irmãos. Me olhou como os órfãos olham para os possíveis pais a cada visita ao orfanato.
Imaginei o constrangimento quando eu fosse até o balcão e entregasse o DVD com o trio insinuando um possível ménage à trois ao japonês adolescente, membro da família dos donos da locadora. Imaginaria coisas sacanas e proibidas (segundo alguns, é claro) ao meu respeito, que em partes é pura verdade e eu estragaria a imagem de bom-menino-que-devorava-as-temporadas-de-LOST-no-feriado-prolongado. Hoje em dia tudo isso é resolvido com um simples download do filme.
Voltei semanas depois e escondi ele atrás de algum filme qualquer e levei até o balcão (sem quase respirar ou olhar para a cara do japonês) e depois de alguns minutos (pareceram horas), finalmente estava em casa, e com o filme.
Não há nada de tão tentador entre o céu e a terra quanto o fruto proibido... Do diretor vencedor do Oscar Bernardo Bertolucci, uma obra prima "magnetizante e sensualmente provocativa" (Ebert e Roeper).
Os três experimentam os prazeres da carne, com direito a (belas) cenas de sexo quase explícito, sedução e charme. E bebidas. E incesto. E perversão. E rock. Melhor respirar e tirar as crianças da sala.

3 comentários:

Gilson disse...

Eu já tinha ouvido falar desse filme, ainda não vi. Um deles é irmão de sangue e o outro não. Não é isso?

Abs

Mari disse...

Tenho uma relação de amor e ódio com esse filme. Gosto dele se passar na Paris do maio de 68, gosto da participação do Jean Pierre Léaud (meu eterno Antoine Doinel), e gosto ainda mais das milhares de referências à filmes. Mas me irrita um pouco alguns exageros do Bertolucci (como a cena de sexo e todo aquele sangue, pra que meu deus?), acabo escolhendo outros filmes do cineasta como meus preferidos. E também me irrita toda essa aura de fanatismo e adoração em cima desse filme, acho que definitivamente ele não merece tudo isso, apesar de ser um bom filme. É como "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", outro filme mediano que ganhou um status de adorado que eu não entendo, enfim.

Eder Fabricio disse...

Gilson é esse mesmo. Louis Garrel é irmão gêmeo de Eva Green e Michael Pitt é o americano em Paris que se relaciona com os irmãos.

Mari, os exageros de Bertolucci não é nada relacionado ao "Ma mère" de Christophe Honoré, também com Louis Garrel. Eu discordo de você e acho sim que o filme merece todo o "fanatismo" que você menciona. Só para discordar mais um pouquinho, adoro "O brilho eterno de uma mente sem lembranças" rs. Tudo é uma questão de opinião... um beijo.